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Lisboa, um dos únicos quatro mercados onde preços do imobiliário de luxo vão subir em 2020

21 mai 2020
Lisboa, um dos únicos quatro mercados onde preços do imobiliário de luxo vão subir em 2020
A consultora Knight Frank apresentou uma primeira análise sobre o impacto da pandemia da Covid-19 no imobiliário de luxo nas 20 principais cidades do mundo.

A consultora Knight Frank apresentou uma primeira análise sobre o impacto da pandemia da Covid-19 no imobiliário de luxo, avaliando a evolução de preços nas 20 principais cidades do mundo. E conclui o estudo que Lisboa, Mónaco, Viena e Shanghai são os únicos quatro mercados onde os preços ainda deverão subir em 2020. A consultora prevê ainda que 2021 seja de forte recuperação para o mercado da capital portuguesa, estimando que Lisboa (e Londres) liderem o crescimento de preços no próximo ano, com uma previsão de subida superior a 5%.

A análise realizada pela Knight Frank tenta estabelecer a direção de preços para 2020 e 2021, com base nas perspetivas da procura e da oferta, no impacto que a Covid-19 terá nos diferentes mercados e nas várias medidas de estímulo anunciadas pelos governos. “O nível sem precedentes de incerteza económica em que nos encontramos dificulta a quantificação das previsões”, refere a consultora, tendo, por isso, decidiudo colocar as 20 cidades analisadas em quatro cenários diferentes, com base no comportamento dos preços esperados: crescimento forte (+ 5%), crescimento moderado (até 5%), sem variação ou com queda moderada (entre 0 e -5%) e forte declínio (de -5% ou menos).

No início do ano, a consultora avançou que se esperava um crescimento significativo nos preços prime nos principais mercados em todo o mundo. Segundo Liam Bailey, Global head of research da Knight Frank, “havia muitos sinais positivos nos muitos mercados globais que perspetivavam um aumento nos preços prime este ano, mas o Covid-19 pôs-se no caminho. Das 20 cidades analisadas, em 16 veremos uma queda nos preços, e muito poucas ficarão em terreno positivo”.

Onde vão cair os preços?

Das cidades onde se irá registar uma queda nos preços, o impacto será maior nos mercados emergentes ou naqueles em que o crescimento foi mais fraco no final de 2019. A única exceção é Singapura, para a qual a Knight Frank observou um crescimento de 3% este ano e para a qual, após a chegada da Covid-19, e tendo em consideração o tempo que o mercado permaneceu fechado, teve que modificar a sua previsão para uma diminuição de até 5%.

Atualmente, a consultora aponta para uma queda média de 2,5% na variação interanual dos preços prime em 2020 nas 20 cidades analisadas e uma recuperação de 1,1% em 2021 (um valor semelhante aos 1,2% alcançados em 2019). Mas para a recuperação do mercado prime, garante, será necessário o alívio das restrições às viagens e o regresso à normalidade das companhias aéreas .

Lisboa e Londres com forte recuperação em 2021

"No futuro, para 2021, podemos ver uma pequena recuperação na maioria dos mercados", explica Kate Everett-Allen, Head of international residential research da Knight Frank. “Londres e Lisboa liderarão o crescimento no próximo ano, com uma previsão de aumento de preços superior a 5%”, refere a especialista. A consultora considera que a gestão da crise realizada por Portugal, juntamente com a forte procura e oferta limitada de imóveis irá impulsionar a recuperação de preços. “Também esperamos que muitos outros mercados europeus se saiam bem, como é o caso de Berlim ou Madrid”, adianta ainda.

“Em Londres, a estabilidade política alcançada aumentou a confiança no mercado imobiliário durante janeiro e fevereiro. Após o declínio de preços de até 25% registado em algumas áreas nos últimos cinco anos, é esperado um aumento significativo em 2021”, lê-se ainda no estudo.

Das três cidades americanas analisadas, Miami é a que alcançaria o melhor desempenho em 2021. Já mostrou força significativa em 2019, segundo a consultora, em parte devido à dedução de impostos locais e estaduais, que aumentaram a atratividade da Flórida, mas também porque a crise da Covid-19 destacou as vantagens do estilo de vida de Miami em comparação com outras cidades com maior densidade populacional.

“Em relação ao mercado asiático, é importante analisar a evolução da China, que volta gradualmente ao normal e onde foi registado um aumento nas transações nas principais cidades na primeira quinzena de abril, além de uma recuperação nos preços. Outro exemplo na região asiática é a Índia, onde se espera um declínio significativo de novos empreendimentos residenciais”, acrescenta ainda a consultora.

Em termos de variação de preços, observa-se, de acordo com a Knight Frank, alguma resiliência dos mercados. O volume de transações diminuiu significativamente neste segundo trimestre do ano, embora na maioria das cidades analisadas (75%) se espere recuperar o impulso já na segunda metade do ano. Ainda assim, a consultora destaca que o volume de vendas de imóveis prime levará mais de um ano para recuperar os níveis anteriores. Na Europa, inicialmente, os compradores locais vão liderar essas operações, enquanto o investidor internacional levará uma média de 3-6 meses para fechar as aquisições.

 
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